II Seminário “Anarquismo: pensamento e práticas insurgentes” – inscrições prorrogadas até 06/11

O II Seminário APPI será realizado na próxima semana. Os interessados em obterem o certificado de participação pode fazer a inscrição pelo formulário .

Abaixo segue a programação atualizada.

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Inscrições abertas para o Seminário Anarquismo Pensamento e Práticas Insurgentes

As inscrições para II Seminario Anarquismo: pensamento e práticas insurgentes estão abertas e podem ser feitas pelo link Inscrição.

A taxa de inscrição é de R$20 reais e dará direito a certificado de participação. Os não inscritos podem participar livremente mas não terão direito ao certificado. As inscrições encerram-se 20 de outubro.

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Programação do II Seminário “Anarquismo Pensamento e Práticas insurgentes”

E com satisfação que anunciamos aqui a programação do II Seminário Anarquismo: Pensamento e Práticas Insurgentes. Em breve informações sobre inscrições e certificados.

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II Seminário “Anarquismo, pensamento e práticas insurgentes”

Novembro de 2017, Rio de Janeiro, Brasil

O objetivo do II Seminário “Anarquismo: pensamento práticas insurgentes” é realizar uma reflexão, a partir da história e da sociologia, sobre os dilemas das insurgências e das revoluções. Tomando como base a ascensão e crise das revoluções do século XX (melhor ilustrada pela revolução russa, que completa seu centenário no ano de 2017) e seu legado para a análise das insurreições do século XXI, iremos discutir um conjunto de temas estratégicos, recorrentes nessas experiências revolucionárias e insurrecionais, e como os mesmos se relacionam ao estudo do sistema mundial e sua presente crise.

Os três temas fundamentais que irão organizar a discussão do seminário são: “Estado, Revolução e Autogestão no século XX”; “Nacionalismo, racismo e emancipação da mulher”; “Insurreições e crise do capitalismo no Século XXI”. Cada um desses temas se coloca numa fronteira complexa entre passado e presente.

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A nova questão agrária e etnoambiental: imperialismo extrativo e situação colonial

imperialismo extrativo e situação colonial

O Seminário “Imperialismo extrativo e situação colonial”, realizado, no dia 27 de abril de 2017, trouxe importantes contribuições aos debates da antropologia e ecologia política. Cerca de 60 pessoas assistiram aos debates e contribuíram com reflexões e perguntas. Abaixo apresentamos um pequeno resumo dos principais pontos das discussões.

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Imperialismo extrativo e situação colonial: uma nova questão agrária e etnoambiental no século XXI

O presente seminário se propõe a debater como o imperialismo extrativo, ou neoextrativismo, está produzindo um processo de reestruturação territorial em escala global, desencadeando conflitos ambientais, étnicos e territoriais no Brasil e no mundo, que compõem uma nova situação colonial e uma nova questão agrária e etnoambiental.

O neoextrativismo é um regime de acumulação centrado na expansão das indústrias de extração (de energias, minérios e outros recursos naturais) e está impondo, por meio de processos de expropriação violenta, land grabbing, financeirização e mercantilização da natureza (da terra, da água, das florestas), um profundo processo de reestruturação territorial e social. Tais processos têm se manifestado especialmente na intensificação de conflitos ambientais, étnicos e territoriais envolvendo populações camponesas e indígenas de diversas regiões do planeta.

Paralelamente, difundiu-se a partir da década de 1990, com ênfase na década de 2000, o discurso ambiental, tendo como marco a noção de “desenvolvimento sustentável”, bem como ações voltadas para a conservação da biodiversidade. A pauta ambiental ganha força junto à comunidade internacional, cujos mecanismos de cooperação voltam-se ainda para a promoção de políticas multiculturais de defesa dos direitos dos “povos indígenas e tribais”, resultando na ambientalização da pauta étnica.

A contradição é visível entre processos de reestruturação territorial, comandados pelas redes de produção e cadeias mercantis da economia-mundo, que tentam mercantilizar a terra e a natureza, e instituições e formas de direito nacional e internacional que tentam preservar e subtrair, supostamente, as mesmas das relações de mercado. É nesse contexto (de conflitos de formas de produção, organização social e de direitos) que são reativadas antigas formas de violência simbólica (narrativas sobre infanticídio indígena, preguiça e improdutividade) e produzidas novas formas expropriatórias (como o capitalismo verde e o multiculturalismo neoliberal), que funcionam duplamente como modos de integração e subordinação de populações camponesas e indígenas.

Considerando que o neoextrativismo modificou substancialmente as relações e sistemas interétnicos, o meio ambiente e o espaço agrário, entende-se que este processo se deu a partir da indução à intensificação da conflitualidade entre grupos étnicos, camponeses e Estados nacionais, assim como entre ordenamentos jurídicos (mecanismos jurídicos distributivos, direitos territoriais e formas de direito consuetudinário) e sistemas jurídicos emergentes das novas relações de produção e processos de acumulação (centrados na expansão da propriedade privada capitalista).

No Brasil, tal processo se manifestou a partir de 2007-2008, com a política neodesenvolvimentista dos governos do PT-PMDB, que se refletiu numa série de projetos e obras de infraestrutura (como o Plano de Aceleração do Crescimento) e nos projetos de incentivo à produção de agroenergia, mineração e produção de petróleo. Várias estratégias de desterritorialização foram elaboradas, como os projetos de reforma constitucional que visavam modificar os termos da demarcação de terras indígenas e comunidades remanescentes de quilombo (respectivamente, o Projeto de Emenda Constitucional 215 e a Ação Direta de Inconstitucionalidade 3.239, para citar dois exemplos), sem contar os inúmeros projetos de modernização rural. Tais processos se aprofundaram e acirraram ao longo do período 2010-2016, tendendo a se radicalizar de forma ainda mais dramática a partir de 2017.

Apesar de vários estudos de caso, pouco tem se discutido no Brasil sobre a necessidade de situar a experiência do “neodesenvolvimentismo” nos quadros do regime de acumulação do imperialismo extrativo, de forma que ainda é uma tarefa a ser realizada a de cruzar estudos de caso realizados no Brasil com os esforços de teorização global existentes na América Latina e África.

Desse modo, o presente seminário pretende discutir como o imperialismo extrativo produziu uma nova situação colonial, e uma nova questão agrária e etnoambiental no chamado “Sul Global”, ou mais precisamente, na periferia e semiperiferia do capitalismo. Se propõe a debater, ainda, a partir do exemplo das transformações no direito e nas formas de cooperação internacional que impactaram a política indigenista, como emergem, sob o discurso do conservacionismo ambiental e do multiculturalismo, novas formas de gestão colonial da natureza e de populações (instrumentos essenciais do processo de acumulação), tendo na Amazônia o locus central de expressão desse processo. Por fim, iremos discutir, a partir de etnografias e pesquisas realizadas no Mato Grosso do Sul e Nordeste, como o racismo é acionado para justificar os novos processos de reorganização territorial, funcionando como forma de poder simbólico que cria subjetividades adequadas às transformações impostas pelo neoextrativismo, e as formas de resistência adotadas pelos povos indígenas.

Imperialismo extrativo e situação colonial:

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Publicado o livro Pensamento e Práticas Insurgentes

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Apresentação

Andrey Cordeiro Ferreira[1]

 

O presente livro é resultado de diversas contribuições feitas ao primeiro seminário “Anarquismo: pensamento e práticas insurgentes”, realizado na cidade do Rio Janeiro em 2015[2], bem como de trabalhos de pesquisa do Núcleo de Estudos do Poder.

O seminário discutiu a crise contemporânea do Estado, do capitalismo e as insurgências e resistências anticapitalistas. O objetivo do seminário foi desenvolver uma reflexão crítica sobre as condições objetivas e subjetivas desse processo de crise e insurgência, indicando como saberes e práticas de resistência podem ajudar a descolonizar epistemologicamente as ciências sociais e liberar as vozes subalternas (e sua crítica prático-teórica do capitalismo e dos diferentes tipos de socialismo de Estado). As vozes e práticas que questionam a representação, a organização e a burocratização típicas da sociedade (pós) moderna-industrial (nas suas variantes estatista, neoliberal e socialista de Estado) não foram compreendidas adequadamente, seja a partir da ótica marxista ou liberal (na sua vertente weberiana, durkheimiana, funcionalista e etc.), e é preciso um mergulho na análise de situações concretas, da história em movimento, para alcançarmos uma visão satisfatória.

O seminário pensou as insurgências contemporâneas, bem como a contribuição da teoria anarquista clássica na interpretação e crítica da atual crise do capitalismo, do Estado e dos movimentos sociais. Determinante para isso foi a conjuntura brasileira pós-junho de 2013, que possibilitou a reflexão sobre as revoltas populares no mundo e sobre alternativas antissistêmicas. O presente livro está imerso nas questões e determinações, objetivas e subjetivas, dessa conjuntura, o que fica expresso nas diferentes contribuições aqui reunidas, que dialogam entre si ao refletirem sobre o problema das insurreições, das autonomias e do lugar no anarquismo nesses processos.

[1] O presente livro é o segundo volume da Coleção Pensamento Insurgente.

[2] O seminário foi realizado nos dias 30 de junho, 1, 2 de julho de 2015 na UERJ, organizado pelo Núcleo de Estudos do Poder/NEP-UFRRJ (grupo de pesquisa registrado no CNPq) com apoio: FAPERJ, por meio do edital Apq2/2014; do Departamento de Sociologia do Colégio Pedro II; do Departamento de Sociologia do CEFET; do OTAL-UFRJ. Registramos nosso agradecimento especialmente ao professor Luiz Felipe Bon, do Colégio Pedro II, pelo apoio na organização do evento. O seminário faz parte de uma linha de pesquisa do NEP intitulada “Anarquismo, Pensamento e Práticas Insurgentes”.

Em breve estará disponível a versão impressa. Baixe aqui o livro Pensamento e Práticas Insurgentes completo.

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