II Seminário “Anarquismo, pensamento e práticas insurgentes”

Novembro de 2017, Rio de Janeiro, Brasil

O objetivo do II Seminário “Anarquismo: pensamento práticas insurgentes” é realizar uma reflexão, a partir da história e da sociologia, sobre os dilemas das insurgências e das revoluções. Tomando como base a ascensão e crise das revoluções do século XX (melhor ilustrada pela revolução russa, que completa seu centenário no ano de 2017) e seu legado para a análise das insurreições do século XXI, iremos discutir um conjunto de temas estratégicos, recorrentes nessas experiências revolucionárias e insurrecionais, e como os mesmos se relacionam ao estudo do sistema mundial e sua presente crise.

Os três temas fundamentais que irão organizar a discussão do seminário são: “Estado, Revolução e Autogestão no século XX”; “Nacionalismo, racismo e emancipação da mulher”; “Insurreições e crise do capitalismo no Século XXI”. Cada um desses temas se coloca numa fronteira complexa entre passado e presente.

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A nova questão agrária e etnoambiental: imperialismo extrativo e situação colonial

imperialismo extrativo e situação colonial

O Seminário “Imperialismo extrativo e situação colonial”, realizado, no dia 27 de abril de 2017, trouxe importantes contribuições aos debates da antropologia e ecologia política. Cerca de 60 pessoas assistiram aos debates e contribuíram com reflexões e perguntas. Abaixo apresentamos um pequeno resumo dos principais pontos das discussões.

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Imperialismo extrativo e situação colonial: uma nova questão agrária e etnoambiental no século XXI

O presente seminário se propõe a debater como o imperialismo extrativo, ou neoextrativismo, está produzindo um processo de reestruturação territorial em escala global, desencadeando conflitos ambientais, étnicos e territoriais no Brasil e no mundo, que compõem uma nova situação colonial e uma nova questão agrária e etnoambiental.

O neoextrativismo é um regime de acumulação centrado na expansão das indústrias de extração (de energias, minérios e outros recursos naturais) e está impondo, por meio de processos de expropriação violenta, land grabbing, financeirização e mercantilização da natureza (da terra, da água, das florestas), um profundo processo de reestruturação territorial e social. Tais processos têm se manifestado especialmente na intensificação de conflitos ambientais, étnicos e territoriais envolvendo populações camponesas e indígenas de diversas regiões do planeta.

Paralelamente, difundiu-se a partir da década de 1990, com ênfase na década de 2000, o discurso ambiental, tendo como marco a noção de “desenvolvimento sustentável”, bem como ações voltadas para a conservação da biodiversidade. A pauta ambiental ganha força junto à comunidade internacional, cujos mecanismos de cooperação voltam-se ainda para a promoção de políticas multiculturais de defesa dos direitos dos “povos indígenas e tribais”, resultando na ambientalização da pauta étnica.

A contradição é visível entre processos de reestruturação territorial, comandados pelas redes de produção e cadeias mercantis da economia-mundo, que tentam mercantilizar a terra e a natureza, e instituições e formas de direito nacional e internacional que tentam preservar e subtrair, supostamente, as mesmas das relações de mercado. É nesse contexto (de conflitos de formas de produção, organização social e de direitos) que são reativadas antigas formas de violência simbólica (narrativas sobre infanticídio indígena, preguiça e improdutividade) e produzidas novas formas expropriatórias (como o capitalismo verde e o multiculturalismo neoliberal), que funcionam duplamente como modos de integração e subordinação de populações camponesas e indígenas.

Considerando que o neoextrativismo modificou substancialmente as relações e sistemas interétnicos, o meio ambiente e o espaço agrário, entende-se que este processo se deu a partir da indução à intensificação da conflitualidade entre grupos étnicos, camponeses e Estados nacionais, assim como entre ordenamentos jurídicos (mecanismos jurídicos distributivos, direitos territoriais e formas de direito consuetudinário) e sistemas jurídicos emergentes das novas relações de produção e processos de acumulação (centrados na expansão da propriedade privada capitalista).

No Brasil, tal processo se manifestou a partir de 2007-2008, com a política neodesenvolvimentista dos governos do PT-PMDB, que se refletiu numa série de projetos e obras de infraestrutura (como o Plano de Aceleração do Crescimento) e nos projetos de incentivo à produção de agroenergia, mineração e produção de petróleo. Várias estratégias de desterritorialização foram elaboradas, como os projetos de reforma constitucional que visavam modificar os termos da demarcação de terras indígenas e comunidades remanescentes de quilombo (respectivamente, o Projeto de Emenda Constitucional 215 e a Ação Direta de Inconstitucionalidade 3.239, para citar dois exemplos), sem contar os inúmeros projetos de modernização rural. Tais processos se aprofundaram e acirraram ao longo do período 2010-2016, tendendo a se radicalizar de forma ainda mais dramática a partir de 2017.

Apesar de vários estudos de caso, pouco tem se discutido no Brasil sobre a necessidade de situar a experiência do “neodesenvolvimentismo” nos quadros do regime de acumulação do imperialismo extrativo, de forma que ainda é uma tarefa a ser realizada a de cruzar estudos de caso realizados no Brasil com os esforços de teorização global existentes na América Latina e África.

Desse modo, o presente seminário pretende discutir como o imperialismo extrativo produziu uma nova situação colonial, e uma nova questão agrária e etnoambiental no chamado “Sul Global”, ou mais precisamente, na periferia e semiperiferia do capitalismo. Se propõe a debater, ainda, a partir do exemplo das transformações no direito e nas formas de cooperação internacional que impactaram a política indigenista, como emergem, sob o discurso do conservacionismo ambiental e do multiculturalismo, novas formas de gestão colonial da natureza e de populações (instrumentos essenciais do processo de acumulação), tendo na Amazônia o locus central de expressão desse processo. Por fim, iremos discutir, a partir de etnografias e pesquisas realizadas no Mato Grosso do Sul e Nordeste, como o racismo é acionado para justificar os novos processos de reorganização territorial, funcionando como forma de poder simbólico que cria subjetividades adequadas às transformações impostas pelo neoextrativismo, e as formas de resistência adotadas pelos povos indígenas.

Imperialismo extrativo e situação colonial:

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Publicado o livro Pensamento e Práticas Insurgentes

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Apresentação

Andrey Cordeiro Ferreira[1]

 

O presente livro é resultado de diversas contribuições feitas ao primeiro seminário “Anarquismo: pensamento e práticas insurgentes”, realizado na cidade do Rio Janeiro em 2015[2], bem como de trabalhos de pesquisa do Núcleo de Estudos do Poder.

O seminário discutiu a crise contemporânea do Estado, do capitalismo e as insurgências e resistências anticapitalistas. O objetivo do seminário foi desenvolver uma reflexão crítica sobre as condições objetivas e subjetivas desse processo de crise e insurgência, indicando como saberes e práticas de resistência podem ajudar a descolonizar epistemologicamente as ciências sociais e liberar as vozes subalternas (e sua crítica prático-teórica do capitalismo e dos diferentes tipos de socialismo de Estado). As vozes e práticas que questionam a representação, a organização e a burocratização típicas da sociedade (pós) moderna-industrial (nas suas variantes estatista, neoliberal e socialista de Estado) não foram compreendidas adequadamente, seja a partir da ótica marxista ou liberal (na sua vertente weberiana, durkheimiana, funcionalista e etc.), e é preciso um mergulho na análise de situações concretas, da história em movimento, para alcançarmos uma visão satisfatória.

O seminário pensou as insurgências contemporâneas, bem como a contribuição da teoria anarquista clássica na interpretação e crítica da atual crise do capitalismo, do Estado e dos movimentos sociais. Determinante para isso foi a conjuntura brasileira pós-junho de 2013, que possibilitou a reflexão sobre as revoltas populares no mundo e sobre alternativas antissistêmicas. O presente livro está imerso nas questões e determinações, objetivas e subjetivas, dessa conjuntura, o que fica expresso nas diferentes contribuições aqui reunidas, que dialogam entre si ao refletirem sobre o problema das insurreições, das autonomias e do lugar no anarquismo nesses processos.

[1] O presente livro é o segundo volume da Coleção Pensamento Insurgente.

[2] O seminário foi realizado nos dias 30 de junho, 1, 2 de julho de 2015 na UERJ, organizado pelo Núcleo de Estudos do Poder/NEP-UFRRJ (grupo de pesquisa registrado no CNPq) com apoio: FAPERJ, por meio do edital Apq2/2014; do Departamento de Sociologia do Colégio Pedro II; do Departamento de Sociologia do CEFET; do OTAL-UFRJ. Registramos nosso agradecimento especialmente ao professor Luiz Felipe Bon, do Colégio Pedro II, pelo apoio na organização do evento. O seminário faz parte de uma linha de pesquisa do NEP intitulada “Anarquismo, Pensamento e Práticas Insurgentes”.

Em breve estará disponível a versão impressa. Baixe aqui o livro Pensamento e Práticas Insurgentes completo.

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Pré-Seleção de Bolsista TCT FAPERJ

O Núcleo de Estudos do Poder (NEP-UFRRJ) está realizando pré-seleção de candidatos para Bolsa de Treinamento e Capacitação Técnica (edital 2016-Faperj). A pré-seleção apenas irá resultar na indicação do candidato para concorrer a uma bolsa de TCT de acordo com as normas da Faperj. A concessão efetiva da bolsa dependerá da aprovação da FAPERJ.  
O candidato deverá ter o seguinte perfil:
a) graduação e/ou mestrado, desenvolvendo pesquisas em estudos ambientais e/ou territoriais; 
b) Habilidade comprovada no uso de ferramentas de geoprocessamento, com domínio dos softwares Arcgis e/ou Quantum Gis;
c) disponibilidade para realização de pesquisa de campo;
d) domínio da língua inglesa; 
 
Área de atuação: 
 
O Bolsista de de TCT irá atuar com jornada de até 40 horas semanais no Núcleo de Estudos do Poder, apoiando os projetos “Ecologia Cultural e Política da Energia: conflitos socioambientais, natureza e imperialismo”, bem como outros projetos, atuando na produção e análise de dados e relatórios. 
 
Os interessados devem preencher a ficha de inscrição abaixosebastiao-salgado-campo[1]:

 
 
Maiores informações abaixo:

TCT 4 – destinada a técnicos de nível superior, com formação específica na área a que se destina e sem vínculo empregatício e/ou estatutário (20 / 40 horas) 800,00 / 1.600,00

TCT 5 – destinada a técnicos com pós-graduação stricto sensu, nível Mestrado, com formação específica na área a que se destina e sem vínculo empregatício e/ou estatutário. 1.050,00 / 2.100,00

Requisitos e Condições

  • As bolsas outorgadas em regime de substituição terão o tempo de vigência restante da bolsa anteriormente concedida.
  • A solicitação será efetuada pelo proponente, que fará a indicação do bolsista na aba correspondente, informando o número de matrícula do mesmo no sisFAPERJ. Para estas modalidades, os tipos de proponente elegíveis são: Pesquisador, Cientista do Nosso Estado e Jovem Cientista do Nosso Estado. Outras modalidades de proponente não serão aceitas pelo sistema.
  • É vedada a utilização desta modalidade de bolsa a atividades de natureza administrativa, bem como a sua concessão a qualquer aluno matriculado em curso de pós-graduação stricto sensu.
  • Para cada bolsa solicitada, deverá ser apresentado, juntamente com o projeto de pesquisa, um Plano de Atividades para o bolsista (duas páginas ou menos, em formato livre).

Do bolsista

  • Ser técnico de nível fundamental, médio ou superior, com ou sem pós-graduação, e possuir habilidade/aptidão específica essencial à execução de projeto de pesquisa.
  • O bolsista selecionado somente poderá iniciar as suas atividades depois de assinar a sua concordância com a execução do Plano de Atividades.

Do orientador

  • Ser pesquisador com grau de doutor ou equivalente, com vínculo empregatício e/ou estatutário com instituição de ensino e pesquisa sediada no estado do Rio de Janeiro.
  • A seleção, o enquadramento, o cancelamento e a substituição dos bolsistas serão de total responsabilidade do orientador/coordenador do projeto beneficiado pela bolsa.
  • Nos primeiros 6 (seis) meses de vigência das bolsas disponibilizadas no Edital não poderá haver substituição dos bolsistas contemplados; eventuais solicitações para substituições de bolsistas somente serão analisadas após esse período, não havendo compensação do período em que a bolsa não foi efetivamente ativada.
  • Cabe ao orientador/coordenador o desligamento e a substituição de bolsistas com desempenho insatisfatório. Na hipótese de substituição, o procedimento, realizado através do sisFAPERJ, deverá ser efetivado ao menos um mês antes da data programada, cumprindo-se, para o novo bolsista, todas as exigências.

Tempo de Dedicação ao Projeto

Carga horária de 40 horas semanais.

Duração da Bolsa: um ano, admitindo-se, no máximo, duas renovações por igual período. No caso de renovação, para encaminhamento do Relatório Técnico, referente ao período já concedido, deverá ser utilizado o Formulário de Encaminhamento de Relatório Técnico.

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Publicado segundo volume do Dossiê “Lutas Sociais e Pensamento Anarquista”

A Em Debate (RED) chega ao seu décimo segundo número contendo a continuação do Dossiê especial LUTAS SOCIAIS E PENSAMENTO ANARQUISTA. 1 Salientamos a importância do debate político-acadêmico com o campo libertário, em virtude de uma série de fenômenos que se destacaram ao longo do ano de 2015. No cenário internacional, talvez uma das questões que merece maior destaque é a luta dos povos do Curdistão, em solo Sírio, especificamente nas regiões de Rojava e Kobane. Que contribuições o pensamento anarquista tem a oferecer para compreender aspectos como, por exemplo, a territorialização da luta, o protagonismo feminino e a auto-organização da chamada “Revolução Curda”?

Dossiê

Vanessa de Souza Hacon
4-21
Maurício Rasia Cossio
22-42
Ariel Martins Azevedo
43-63
Wallace dos Santos de Moraes
64-86

Entrevistas

Selmo Nascimento da Silva

Leia aqui!

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Publicado Dossiê “Lutas sociais e pensamento anarquista”

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A edição de número 11 da Em Debate (RED) traz um Dossiê especial, abrindo um grande espaço para o pensamento do campo libertário, LUTAS SOCIAIS E PENSAMENTO ANARQUISTA, que se desdobrará também ao décimo segundo número da Revista. Trata-se de mais uma publicação voltada para a pluralidade teóricometodológica e política, dentro dos marcos da luta antissistêmica que nossa Revista vem privilegiando desde o seu surgimento. Isto significa maior rigor científico, não o contrário, como o senso comum neoconservador em ascensão vem preconizando. Outra característica editorial permanece, a abertura para trabalhos de graduandos, cuja seleção passa pelo mesmo corpo de avaliadores que os demais artigos. Privilegiamos a qualidade e a relevância das pesquisas, não simplesmente o peso dos títulos de seus autores. Mas, por que um Dossiê que procura expor a teoria e a análise teoricamente informada do Anarquismo aplicada a fenômenos históricos e sociais? Inicialmente, porque estamos falando dos co-fundadores do movimento socialista internacional, na Associação Internacional dos Trabalhadores, independente das posteriores divergências com o marxismo e sua ruptura. O pensamento anarquista também é pioneiro nas discussões sobre poder e formas de organização política, na crítica à burocracia, na denúncia das diversas manifestações de opressão social, etc. Os anarquistas também estão fortemente presentes nas lutas sociais concretas, seja na Guerra Civil espanhola, ou no início das organizações operárias no Brasil, para citar apenas dois exemplos. Com o desmantelamento do Bloco Soviético, ficou exposta a ossatura do capitalismo de Estado que para muitos ainda hoje é definido como “socialismo real”, “comunismo”, dando razão em vários pontos às clássicas críticas libertárias direcionadas ao jacobinismo bolchevique. Com isto, a História veio a conhecer mais profundamente a perseguição que os movimentos anarquistas sofreram pelo chamado “socialismo autoritário”. Porém, o anarquismo também vem absorvendo as ideologias “pósmodernas”, perdendo muito do seu potencial crítico para os movimentos do “estilo de vida” centrados no indivíduo, no “consumidor”, no “alternativismo”, etc. O anarquismo, assim como o marxismo, está desafiado a dar respostas para os novos (e velhos) problemas do capitalismo contemporâneo.

O presente Dossiê representa uma resposta neste sentido, demonstrando o vigor e a atualidade de pensadores-militantes anarquistas em sua capacidade explicativa dos fenômenos sociais, mas também de intervenção sobre a realidade sociopolítica. Tornado possível graças à parceria entre a RED e o Núcleo de Estudos do Poder da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (NEP/UFRRJ), o dossiê temático desdobrado se compõe em parte de comunicações apresentadas durante o “I Seminário Anarquismo: pensamento e práticas insurgentes”, ocorrido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) entre os dias 30 de junho e 1 e 2 de julho de 2015, evento multiinstitucional organizado, além do próprio NEP/UFRRJ, pelo Observatório do Trabalho na América Latina (OTAL/UFRJ) e pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão em Ensino de Sociologia (NUPES) do Departamento de Sociologia do Colégio Pedro II do Rio de Janeiro.  Continuar lendo

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