Análise preliminar dos protestos de junho de 2013

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Apresentamos aqui dados parciais de uma pesquisa intitulada “Luta de Classes e Insurgências no Brasil”, realizada pelo NEP-UFFRJ, sobre os protestos de junho de 2013 no Brasil e seusdesdobramentos, especialmente as greves e manifestações de rua de 2014.
O impacto do levante de junho de 2013 na sociedade brasileira ainda está sendo
dimensionado. O fato é que tais protestos imediatamente produziram diferentes tipos de
discursos e reflexão teórico-política. Duas coletâneas expressam os pontos de vista que foram imediatamente elaborados para interpretar os protestos de junho: “Cidades Rebeldes”, coleção organizada pela boitempo editorial no ano de 2013, reúne abordagens marxistas; e “Junho de 2013: a sociedade enfrenta o Estado”, que agrega uma visão liberal sobre os acontecimentos. De maneira geral, as reflexões sobre junho de 2013 não foram precedidas de uma pesquisa sobre a estrutura social e nem mesmo sobre as condições concretas das atividades dos grupos que nele tomaram parte. Grande parte das análises está calcada em pesquisas de opinião e análises de organismos governamentais e do governo federal, que são tomados frequentemente não como fontes de informação, mas como ponto de partida em si mesmo inquestionado e inquestionável sobre a estrutura e dinâmica socioeconômica brasileira.
Por isso a pesquisa tentou romper com essa informação de caráter político-jornalístico e das amarras cognitivas impostas pelo tipo de pesquisa de opinião empresarial e pelos dados organizados pelos organismos governamentais. Estamos tentando alcançar o perfil
socioeconômico de parcelas dos atores sociais que estiveram nas ruas em 2013, mas cuja ação histórica não começou nem se encerrou ali. Os dados aqui reunidos começa a esboçar o perfil socioeconômico, cultural e da atividade política desses atores na sociedade.
Dessa forma a pesquisa aqui realizada foi orientada para ver em que medida as duas hipóteses principais acerca dos protestos de junho, que aparecem nos discursos de instituições estatais, imprensa e mesmo no discurso teórico, tem validade: 1º) que os protestos de junho tinham sido realizados por uma “classe média” criada pelo próprio governo e sua política econômica, e não pela classe trabalhadora ou “pobres”; 2) que os protestos não tinham conteúdo político, o que os tornava vulneráveis à “fascistização” ou conservadorismo. Dessa forma, essas hipóteses, compartilhadas em maior ou menor grau por quase todos os analistas e setores da política brasileira, induzem a uma certa visão da estrutura socioeconômica, de que o Brasil é um país com uma “classe média pujante” e ao mesmo tempo sobre a atividade política (que que a ação que nega determinadas formas de representação é “autoritária”). Essas hipóteses são, no nosso entendimento, negadas pelos dados quantitativos e qualitativos que estamos obtendo na pesquisa. Aqui apresentamos uma parte dos dados quantitativos exatamente para auxiliar na reflexão crítica sobre o tema. Leia o relatório na íntegra no link abaixo!

Insurgências no Brasil_parcial_mar_FINAL.2015

 

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