Encontro Nacional Autonomia e Educação  

 

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O NEP está organizando um encontro de extensão para o ano de 2016 intitulado “Encontro Nacional Autonomia e Educação”. O objetivo do Encontro é reunir estudantes, militantes de movimentos sociais, trabalhadores da educação e educadores oriundos dos povos do campo e tradicionais para discutir projeto um educacional, novas tecnologias e alternativas de organização de lutas socioeducacionais.

No Rio de Janeiro  realizaremos um Pré-encontro no dia 28 de Novembro de 2015. Desse modo, o ENAE será parte de um processo mais amplo e não o espaço principal ou único de elaboração e discussão. Os encontros regionais terão como tema gerador: “Educação Autonômica x Autoritarismo Militar, religioso e econômico no espaço escolar” e oficinas sobre os temas Currículo e Conteúdo, Avaliação e Processos e Tecnologias.

O Encontro Maiores informações no site do NEP. Leia abaixo a convocatória do evento.

 

“A educação, entendida como o sistema escolar básico e universitário, passa por uma profunda crise resultante da aplicação de diferentes projetos e políticas educacionais. Essa crise tem levado à precarização e sucateamento da escola e ao total desencantamento com a educação. Esse processo tem raízes históricas profundas. O sistema de ensino brasileiro foi criado sobre uma longa tradição autoritária, religiosa e tecnicista à serviço do poder do Estado e do capital.

Hoje temos diversas ofensivas que estão aprofundando esse caráter; em diversas Unidades da Federação (Rio de Janeiro, Goiás, só para citar alguns exemplos), a política educacional tem sido tratada como política de segurança pública: a polícia não somente é colocada dentro das escolas para garantir supostamente a “segurança”, como lhe são atribuídas funções pedagógicas (em determinadas escolas os policiais estão dando aulas de “bons costumes”).

Ao mesmo tempo, impôs-se o ensino religioso nas escolas como o ensino do fundamentalismo cristão, num claro movimento de partidarização conservadora da escola. Tal processo vem acompanhado pelos movimentos de discriminação, violência racial e intolerância religiosa contra afrodescendentes e religiões de matriz africana. O autoritarismo religioso avança paralelamente ao avanço de uma Escola Policial-Penal, em que a repressão material no espaço escolar se alia à repressão simbólica e ideológica.

Dessa forma, a educação pública, em especial a educação básica, tem sofrido um processo de mercantilização e precarização. A mercantilização se faz por diversos mecanismos de gestão, especialmente pelo processo de imposição da meritocracia e de sistemas de avaliação padronizados, que procuram transformar a escola numa espécie de extensão da empresa; tudo é concebido como uma lógica de acumulação (de notas, de pontos, de aprovações em avaliações, de conteúdo) e quem não “acumula” é considerado como fracassado dentro desse sistema (professores e alunos). A precarização é a redução dos recursos investidos no sistema escolar público, que se expressa em baixos salários, infraestrutura física precária das escolas e baixo investimento nos alunos e professores, seja por meio de equipamentos, seja de processos pedagógicos.image

Assim hoje a educação vive uma “crise” e se procura superar essa crise usando a política educacional que a produziu: a política do autoritarismo militar, religioso e econômico. Esse projeto educacional de um capitalismo autoritário que quer uma escola dirigida pelo “Partido Único do Capital”, que ensine o fundamentalismo religioso e a doutrinação militar, é a própria crise.  Por outro lado, as alternativas de “esquerda” acabam não conseguindo combater esse processo. Hoje, carecemos de um projeto e de uma política educacional capaz de enfrentar os projetos hegemônicos e a crise da educação.

Por isso organizamos o Encontro Nacional Autonomia e Educação (ENAE) para pensar a crise da educação, os projetos e política educacional vigentes e estratégias pedagógicas e políticas de resistência ao autoritarismo militar, religioso e econômico que procuram avançar sobre a educação escolar.

Nesse âmbito, o ENAE pretende recuperar as experiências do anarquismo e do sindicalismo, da educação popular e libertária, suas críticas do espaço escolar como espaço de autoridade, visando sua transformação num espaço de liberdade. O objetivo do encontro é discutir essa crise e estratégias de resistência, formulando um projeto pedagógico que coloque a autonomia como horizonte principal da educação e da resistência.

Essa pedagogia sociopolítica autonômica voltada para a construção da autonomia coletiva se constitui numa relação entre ação coletiva de resistência e prática de ensino. Por isso, pretendemos debater não apenas currículos e conteúdos, sistemas de avaliação e processos de ensino-aprendizagem e uso de novas tecnologias, mas também as formas de gestão direta e horizontais do espaço escolar e formas de organização.

Essa pedagogia autônoma e horizontal não esgota o problema. Na realidade uma pedagogia autonômica se constitui na atividade de resistência coletiva aos processos de expansão do autoritarismo e, nesse sentido, ela só pode existir numa política educacional concebida como parte da atividade de associação e luta sociopolítica dos agentes da educação (profissionais da educação, estudantes, comunidades, famílias e povos), como parte de um movimento associativo realizado de baixo para cima para confrontar e transformar as condições da educação e o espaço escolar nas suas múltiplas dimensões.

Por isso convidamos todos aqueles que querem problematizar a atual crise da educação e ajudar a construir uma pedagogia e política educacional autonômica a participarem do ENAE.

 

A resistência ao autoritarismo: rumo à autonomia e uma pedagogia sociopolítica

 

A política de desmonte e sucateamento da educação não tem se restringido à não ampliação necessária frente ao aumento da demanda, o projeto do Estado é de fechamento das escolas. A cada 10 escolas no país, 3 estão paradas e com suas estruturas abandonadas, enquanto os alunos são empilhados em transporte precarizado por longas distâncias, aumentando a evasão escolar dos filhos da classe trabalhadora. Na zona rural a situação é ainda pior do que nas cidades, somente em 2014 mais de 4.000 escolas do campo foram extintas no país em um movimento sincronizado entre os governos federal, estaduais e municipais.

Ao fechamento das escolas, à enturmação e à alta precariedade do espaço escolar, soma-se a intensificação de práticas pedagógicas autoritárias, que buscam garantir o “aprendizado” em condições que impedem a transformação da escola em um espaço de liberdade. A hierarquia Secretaria de Educação – Direção da Escola – Professores determina currículos, conteúdos e avaliações de cima para baixo.

Ao mesmo tempo, alternativas de luta são frequentemente emperradas pelas direções sindicais atreladas ao Estado, que  são incapazes de derrubar o projeto educacional capitalista e autoritário e de superar a política de precarização das escolas. Essa incapacidade tem sido demonstrada a cada greve onde professores combativos não encontram espaço no movimento sindical, sendo reprimidos pela polícia em cumplicidade com os sindicatos, que temem mais perder o controle sobre a base do que as próprias políticas do autoritarismo militar, religioso e econômico que estão colocadas para a educação. As greves dos profissionais de educação do Rio de Janeiro (2013), Paraná e Pará, e os protestos estudantis em São Paulo contra o fechamento das escolas (2015) mostram a existência de uma atividade de resistência de profissionais da educação e estudantes.

 

 

O ENAE 2016

 

 

O ENAE é um encontro de extensão que articula as linhas de educação e organização popular. Visando combinar a reflexão acadêmica e o extensionismo, será realizado no ano de 2016 no estado do Rio de Janeiro. Esperamos que esse evento permita que sejam compartilhadas experiências de pesquisa sobre educação e a experiência de organização e luta de movimentos sociais educacionais.

O ENAE terá então dois tipos de atividades: os espaços de apresentação das pesquisas acadêmicas e reflexão teórica voltadas a subsidiar a formulação de uma pedagogia e política educacional autonômica; o espaço dos movimentos de resistência ao autoritarismo e crise da educação tecnocrática e capitalista.

Sabendo que um evento nacional é sempre parte de um processo, iremos organizar também pré-encontros regionais-locais que visam exatamente aprofundar a discussão dos temas do encontro e servir como espaços formativos e organizativos. Desse modo, o ENAE será parte de um processo mais amplo e não o espaço principal ou único de elaboração e discussão. Os encontros regionais terão como tema gerador: “Educação Autonômica x Autoritarismo Militar, religioso e econômico no espaço escolar” e oficinas sobre os temas Currículo e Conteúdo, Avaliação e Processos e Tecnologias.

 

Informações e contatos: nep@outlook.com.br

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