Pré-Seleção de Bolsista TCT FAPERJ

O Núcleo de Estudos do Poder (NEP-UFRRJ) está realizando pré-seleção de candidatos para Bolsa de Treinamento e Capacitação Técnica (edital 2016-Faperj). A pré-seleção apenas irá resultar na indicação do candidato para concorrer a uma bolsa de TCT de acordo com as normas da Faperj. A concessão efetiva da bolsa dependerá da aprovação da FAPERJ.  
O candidato deverá ter o seguinte perfil:
a) graduação e/ou mestrado, desenvolvendo pesquisas em estudos ambientais e/ou territoriais; 
b) Habilidade comprovada no uso de ferramentas de geoprocessamento, com domínio dos softwares Arcgis e/ou Quantum Gis;
c) disponibilidade para realização de pesquisa de campo;
d) domínio da língua inglesa; 
 
Área de atuação: 
 
O Bolsista de de TCT irá atuar com jornada de até 40 horas semanais no Núcleo de Estudos do Poder, apoiando os projetos “Ecologia Cultural e Política da Energia: conflitos socioambientais, natureza e imperialismo”, bem como outros projetos, atuando na produção e análise de dados e relatórios. 
 
Os interessados devem preencher a ficha de inscrição abaixosebastiao-salgado-campo[1]:

 
 
Maiores informações abaixo:

TCT 4 – destinada a técnicos de nível superior, com formação específica na área a que se destina e sem vínculo empregatício e/ou estatutário (20 / 40 horas) 800,00 / 1.600,00

TCT 5 – destinada a técnicos com pós-graduação stricto sensu, nível Mestrado, com formação específica na área a que se destina e sem vínculo empregatício e/ou estatutário. 1.050,00 / 2.100,00

Requisitos e Condições

  • As bolsas outorgadas em regime de substituição terão o tempo de vigência restante da bolsa anteriormente concedida.
  • A solicitação será efetuada pelo proponente, que fará a indicação do bolsista na aba correspondente, informando o número de matrícula do mesmo no sisFAPERJ. Para estas modalidades, os tipos de proponente elegíveis são: Pesquisador, Cientista do Nosso Estado e Jovem Cientista do Nosso Estado. Outras modalidades de proponente não serão aceitas pelo sistema.
  • É vedada a utilização desta modalidade de bolsa a atividades de natureza administrativa, bem como a sua concessão a qualquer aluno matriculado em curso de pós-graduação stricto sensu.
  • Para cada bolsa solicitada, deverá ser apresentado, juntamente com o projeto de pesquisa, um Plano de Atividades para o bolsista (duas páginas ou menos, em formato livre).

Do bolsista

  • Ser técnico de nível fundamental, médio ou superior, com ou sem pós-graduação, e possuir habilidade/aptidão específica essencial à execução de projeto de pesquisa.
  • O bolsista selecionado somente poderá iniciar as suas atividades depois de assinar a sua concordância com a execução do Plano de Atividades.

Do orientador

  • Ser pesquisador com grau de doutor ou equivalente, com vínculo empregatício e/ou estatutário com instituição de ensino e pesquisa sediada no estado do Rio de Janeiro.
  • A seleção, o enquadramento, o cancelamento e a substituição dos bolsistas serão de total responsabilidade do orientador/coordenador do projeto beneficiado pela bolsa.
  • Nos primeiros 6 (seis) meses de vigência das bolsas disponibilizadas no Edital não poderá haver substituição dos bolsistas contemplados; eventuais solicitações para substituições de bolsistas somente serão analisadas após esse período, não havendo compensação do período em que a bolsa não foi efetivamente ativada.
  • Cabe ao orientador/coordenador o desligamento e a substituição de bolsistas com desempenho insatisfatório. Na hipótese de substituição, o procedimento, realizado através do sisFAPERJ, deverá ser efetivado ao menos um mês antes da data programada, cumprindo-se, para o novo bolsista, todas as exigências.

Tempo de Dedicação ao Projeto

Carga horária de 40 horas semanais.

Duração da Bolsa: um ano, admitindo-se, no máximo, duas renovações por igual período. No caso de renovação, para encaminhamento do Relatório Técnico, referente ao período já concedido, deverá ser utilizado o Formulário de Encaminhamento de Relatório Técnico.

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Publicado segundo volume do Dossiê “Lutas Sociais e Pensamento Anarquista”

A Em Debate (RED) chega ao seu décimo segundo número contendo a continuação do Dossiê especial LUTAS SOCIAIS E PENSAMENTO ANARQUISTA. 1 Salientamos a importância do debate político-acadêmico com o campo libertário, em virtude de uma série de fenômenos que se destacaram ao longo do ano de 2015. No cenário internacional, talvez uma das questões que merece maior destaque é a luta dos povos do Curdistão, em solo Sírio, especificamente nas regiões de Rojava e Kobane. Que contribuições o pensamento anarquista tem a oferecer para compreender aspectos como, por exemplo, a territorialização da luta, o protagonismo feminino e a auto-organização da chamada “Revolução Curda”?

Dossiê

Vanessa de Souza Hacon
4-21
Maurício Rasia Cossio
22-42
Ariel Martins Azevedo
43-63
Wallace dos Santos de Moraes
64-86

Entrevistas

Selmo Nascimento da Silva

Leia aqui!

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Publicado Dossiê “Lutas sociais e pensamento anarquista”

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A edição de número 11 da Em Debate (RED) traz um Dossiê especial, abrindo um grande espaço para o pensamento do campo libertário, LUTAS SOCIAIS E PENSAMENTO ANARQUISTA, que se desdobrará também ao décimo segundo número da Revista. Trata-se de mais uma publicação voltada para a pluralidade teóricometodológica e política, dentro dos marcos da luta antissistêmica que nossa Revista vem privilegiando desde o seu surgimento. Isto significa maior rigor científico, não o contrário, como o senso comum neoconservador em ascensão vem preconizando. Outra característica editorial permanece, a abertura para trabalhos de graduandos, cuja seleção passa pelo mesmo corpo de avaliadores que os demais artigos. Privilegiamos a qualidade e a relevância das pesquisas, não simplesmente o peso dos títulos de seus autores. Mas, por que um Dossiê que procura expor a teoria e a análise teoricamente informada do Anarquismo aplicada a fenômenos históricos e sociais? Inicialmente, porque estamos falando dos co-fundadores do movimento socialista internacional, na Associação Internacional dos Trabalhadores, independente das posteriores divergências com o marxismo e sua ruptura. O pensamento anarquista também é pioneiro nas discussões sobre poder e formas de organização política, na crítica à burocracia, na denúncia das diversas manifestações de opressão social, etc. Os anarquistas também estão fortemente presentes nas lutas sociais concretas, seja na Guerra Civil espanhola, ou no início das organizações operárias no Brasil, para citar apenas dois exemplos. Com o desmantelamento do Bloco Soviético, ficou exposta a ossatura do capitalismo de Estado que para muitos ainda hoje é definido como “socialismo real”, “comunismo”, dando razão em vários pontos às clássicas críticas libertárias direcionadas ao jacobinismo bolchevique. Com isto, a História veio a conhecer mais profundamente a perseguição que os movimentos anarquistas sofreram pelo chamado “socialismo autoritário”. Porém, o anarquismo também vem absorvendo as ideologias “pósmodernas”, perdendo muito do seu potencial crítico para os movimentos do “estilo de vida” centrados no indivíduo, no “consumidor”, no “alternativismo”, etc. O anarquismo, assim como o marxismo, está desafiado a dar respostas para os novos (e velhos) problemas do capitalismo contemporâneo.

O presente Dossiê representa uma resposta neste sentido, demonstrando o vigor e a atualidade de pensadores-militantes anarquistas em sua capacidade explicativa dos fenômenos sociais, mas também de intervenção sobre a realidade sociopolítica. Tornado possível graças à parceria entre a RED e o Núcleo de Estudos do Poder da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (NEP/UFRRJ), o dossiê temático desdobrado se compõe em parte de comunicações apresentadas durante o “I Seminário Anarquismo: pensamento e práticas insurgentes”, ocorrido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) entre os dias 30 de junho e 1 e 2 de julho de 2015, evento multiinstitucional organizado, além do próprio NEP/UFRRJ, pelo Observatório do Trabalho na América Latina (OTAL/UFRJ) e pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão em Ensino de Sociologia (NUPES) do Departamento de Sociologia do Colégio Pedro II do Rio de Janeiro.  Continuar lendo

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Encontro Nacional Autonomia e Educação  

 

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O NEP está organizando um encontro de extensão para o ano de 2016 intitulado “Encontro Nacional Autonomia e Educação”. O objetivo do Encontro é reunir estudantes, militantes de movimentos sociais, trabalhadores da educação e educadores oriundos dos povos do campo e tradicionais para discutir projeto um educacional, novas tecnologias e alternativas de organização de lutas socioeducacionais.

No Rio de Janeiro  realizaremos um Pré-encontro no dia 28 de Novembro de 2015. Desse modo, o ENAE será parte de um processo mais amplo e não o espaço principal ou único de elaboração e discussão. Os encontros regionais terão como tema gerador: “Educação Autonômica x Autoritarismo Militar, religioso e econômico no espaço escolar” e oficinas sobre os temas Currículo e Conteúdo, Avaliação e Processos e Tecnologias.

O Encontro Maiores informações no site do NEP. Leia abaixo a convocatória do evento.

 

“A educação, entendida como o sistema escolar básico e universitário, passa por uma profunda crise resultante da aplicação de diferentes projetos e políticas educacionais. Essa crise tem levado à precarização e sucateamento da escola e ao total desencantamento com a educação. Esse processo tem raízes históricas profundas. O sistema de ensino brasileiro foi criado sobre uma longa tradição autoritária, religiosa e tecnicista à serviço do poder do Estado e do capital.

Hoje temos diversas ofensivas que estão aprofundando esse caráter; em diversas Unidades da Federação (Rio de Janeiro, Goiás, só para citar alguns exemplos), a política educacional tem sido tratada como política de segurança pública: a polícia não somente é colocada dentro das escolas para garantir supostamente a “segurança”, como lhe são atribuídas funções pedagógicas (em determinadas escolas os policiais estão dando aulas de “bons costumes”).

Ao mesmo tempo, impôs-se o ensino religioso nas escolas como o ensino do fundamentalismo cristão, num claro movimento de partidarização conservadora da escola. Tal processo vem acompanhado pelos movimentos de discriminação, violência racial e intolerância religiosa contra afrodescendentes e religiões de matriz africana. O autoritarismo religioso avança paralelamente ao avanço de uma Escola Policial-Penal, em que a repressão material no espaço escolar se alia à repressão simbólica e ideológica.

Dessa forma, a educação pública, em especial a educação básica, tem sofrido um processo de mercantilização e precarização. A mercantilização se faz por diversos mecanismos de gestão, especialmente pelo processo de imposição da meritocracia e de sistemas de avaliação padronizados, que procuram transformar a escola numa espécie de extensão da empresa; tudo é concebido como uma lógica de acumulação (de notas, de pontos, de aprovações em avaliações, de conteúdo) e quem não “acumula” é considerado como fracassado dentro desse sistema (professores e alunos). A precarização é a redução dos recursos investidos no sistema escolar público, que se expressa em baixos salários, infraestrutura física precária das escolas e baixo investimento nos alunos e professores, seja por meio de equipamentos, seja de processos pedagógicos. Continuar lendo

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A insurreição invisível: uma interpretação anti-governista da rebelião de 2013/14 no Brasil[1]

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Por Wallace dos Santos de Moraes, Camila Rodrigues Jourdan e Andrey Cordeiro Ferreira

Apresentamos aqui um texto escrito em resposta ao texto de André SINGER, publicado com o título   Rebellion in Brazil, na revista New Left Review (2014, vol.85, pp 19-37). O texto formula uma crítica do modo como as ciências sociais brasileiras em seus paradigmas hegemônicos tentam invisibilizar as ações de resistência e o significado da insurreição de 2013.

 

 

Comentando sobre os protestos na Turquia, Slavoj Zizek disse o seguinte:

“A luta pela interpretação dos protestos não é apenas ‘epistemológica’; a luta dos jornalistas e teóricos sobre o verdadeiro teor dos protestos é também uma luta ‘ontológica’, que diz respeito à coisa em si, que ocorre no centro dos próprios protestos. Há uma batalha acontecendo dentro dos protestos sobre o que eles próprios representam”(…).

Igualmente, no Brasil, há uma grande disputa entre as narrativas sobre o levante popular de 2013. Por razões ideológicas e político-eleitorais, diversos intelectuais participam de uma querela sobre os motivos da revolta de junho de 2013, bem como suas características. Buscaremos contrapor a análise de André Singer, publicada nessa revista, por omitir fatos fundamentais ocorridos entre 2013 e 2014 e, por consequência, induzir o leitor a uma interpretação equivocada dos acontecimentos. Podemos adiantar que a leitura de Singer buscou por todas as maneiras blindar a administração do Partido dos Trabalhadores (PT), perante a enorme insatisfação popular que explodiu no país no que estamos chamando de levante ou insurreição popular. O autor colabora para uma visão idílica do governo petista para fora do país, amparado em números que não encontram fundamento nas condições materiais de existência da classe e dos movimentos sociais e populares em geral.

Leia aqui o texto completo A insurreição invisível

 

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Da criação da ordem na humanidade ou Princípios de organização política

Pierre-Joseph_Proudhon

O NEP está realizando, como parte do projeto “Saberes subalternos, insurgentes e descoloniais” a tradução de diversas obras consideradas essenciais ao desenvolvimento de um pensamento crítico-insurgente. Aqui apresentamos um pequeno fragmento da tradução do livro “Da criação da ordem na humanidade”, de PJ Proudhon que será incluído na próxima publicação do NEP. A tradução é de autoria de Tadeu Toniatti.

Como citar: “Da criação da ordem na Humanidade”, Pierre-Joseph Proudhon, Tradução Toniatti, Tadeu Bernardes de Souza. Núcleo de Estudos do Poder-UFRRJ, Rio de Janeiro, 2015

 

PJ Proudhon

DEFINIÇÕES

  1. Chamo de ORDEM qualquer disposição seriada ou simétrica.

A ordem supõe, necessariamente, divisão, distinção, diferença. Nenhuma coisa indivisa, indistinta, não diferenciada, pode ser concebida como ordenada: estas noções se excluem reciprocamente[1].

  1. As ideias de inteligência e de causa final são estrangeiras à concepção de ordem. Efetivamente, a ordem pode nos aparecer como resultado não previsto das propriedades inerentes às diversas partes de um todo: a inteligência só pode, neste caso, ser delimitada como princípio de ordem. – Por outro lado, pode existir na desordem uma tendência ou um fim secreto: a finalidade não saberia melhor ser pega como caráter essencial da ordem.

Sendo assim, a consideração do universo, do ponto de vista em que o tomaram Bossuet, Fénelon, Cícero, não é um argumento da existência de Deus; assim como a desordem social, tal que nos é apresentada pela história, não é prova contra a Providência.

 

  1. A ordem é a condição suprema de toda persistência, de todo desenvolvimento, de toda perfeição.
  2. A ordem, em suas manifestações diversas, sendo série, simetria, relação, está submetida a condições nas quais pode ser decomposta, e que são como seu princípio imediato, sua forma, sua razão, seu metro. Estas condições são o que é chamado de leis. – Assim, tomando o círculo como um todo ordenado, a igualdade fixa do raio gerador sera a lei. Na série aritmética 3,5,7,9,11……., a lei ou razão é 2.
  3. A expressão de uma lei, ou sua descrição, é uma fórmula.
  4. Toda lei verdadeira é absoluta e não excetua nada: a ignorância ou a inépcia dos gramáticos, moralistas, jurisconsultos e outros filósofos, foi a única a imaginar o provérbio: Nada de regra sem exceção. A mania de impor regras à natureza, em lugar de estudar as dela, confirmou mais tarde este aforismo da ignorância. – Nas ciências matemáticas e naturais, é admitido que toda lei que não abraça a universalidade dos fatos é uma lei falsa, uma lei nula: é da mesma forma para todas as outras ciências.
  5. A ordem não é algo de real, mas somente de formal: é a ideia inscrita na substância, o pensamento exprimido sob cada coleção, série, organismo, gênero e espécie, como a palavra na escrita.
  6. A ordem é tudo o que o homem pode saber do universo.

Considerando a criação segundo as três categorias de substância, causa, relação, chegamos ao resultado que os seres perceptíveis para nós pelas relações que sustentamos com eles nos permanecem impenetráveis em sua substância; que as causas, inapreensíveis em seu princípio e sua origem, nos deixam entrever apenas a sucessão de seus efeitos. As relações das coisas, a ordem e a desordem, o belo e o feio, o bem e o mal, eis aí tudo o que cai sob a observação do homem tudo o que é objeto de sua ciência.

Das três faces do universo, então, apenas uma nos é inteligível: as duas outras são, da nossa parte, objeto de uma fé cega, fatal. A ontologia, enquanto ciência das substâncias e das causas, é impossível[2].

  1. Nós conhecemos dos seres apenas as suas relações: entretanto, como é necessário, para as demandas da ciência, distinguir sob cada uma de suas faces este grande todo que nomeamos Universo, demos nomes especiais às coisas conhecidas e às desconhecidas, às visíveis e às invisíveis, àquelas que sabemos, e àquelas que acreditamos.

Assim, chamamos substância a matéria, seja qual for, de qualquer série, de qualquer organização; o princípio de toda inércia ou resistência. Em um relógio, por exemplo, a substância é o ferro, o cobre, numa palavra, os materiais diversos de que este relógio é composto[3].

  1. Entendemos por causa a força primitiva que determina uma mudança de estado, uma produção de ordem ou de desordem, numa palavra, um movimento. – Os filósofos, por extrapolação, considerando os diferentes termos de uma sequência móvel como causa uns dos outros, acreditaram poder, com a ajuda destas pretensas causas segundas, elevar-se até o conhecimento das primeiras. Mas é fácil ver quanto, tomando relações por causas, eles se iludiam. A causa que faz andar a agulha de um relógio, segundo sua maneira de ver, é uma roda que gira; a causa que faz girar a roda é uma corrente enrolada em um eixo; a causa que faz a corrente se desenrolar é um peso que a puxa; a causa que faz cair o peso é a atração; a causa da atração….. é desconhecida. Ora, todas estas causas são termos de uma sequência mecânica produzida no domínio da força, como um poliedro de cera ou de marfim é uma ordem geométrica produzida no domínio da substância. Assim como a matéria não muda com os formatos que lhe damos e os usos aos quais a empregamos; da mesma forma a força não varia, ou seja, não se classifica, segundo as séries das quais pode ser o substratum, o sujeito. O erro não é, pois, nomear a substância e a causa[4]; mas somente aspirar a conhecê-las, e pretender explicá-las.
  2. Propriedade, qualidade, modo e fenômeno são expressões correlativas de substância e de causa, e servem[5] para designar aquilo em que uma e outra são perceptíveis, ou seja, a ordem ou a desordem que apresentam.
  3. Há uma ordem, ou sistema natural dos corpos celestes, demonstrada por Newton;

Um sistema das plantas, reconhecido por de Jussieu;

Um sistema de zoologia, do qual Cuvier é o principal inventor;

Um sistema de química, que Lavoisier formulou mais ou menos completamente;

Um sistema de numeração reconhecido desde a mais alta antiguidade;

Sistemas de composição molecular, de reprodução orgânica, de cosmogonia, de gramática, de arte e de literatura, ainda pouco conhecidos, mas que tendem, todos, a se descobrir dos véus que os cobrem, e a se constituir de uma maneira absoluta.

Da mesma forma, existe um sistema natural de economia social, entrevisto ou pressentido pelos legisladores, que se esforçaram para conformar a ele suas leis: sistema que a cada dia a humanidade realiza, e que me proponho a reconhecer.

  1. A ordem se produz, nos seres inorganizados ou privados de razão, em virtude de forças inconsistentes, cegas, infalíveis, e segundo leis desconhecidas por eles próprios; – nos seres razoáveis, em virtude de forças que sentem a si mesmas, e que, por esta razão, estão sujeitas a desviar, e segundo leis que estes seres são chamados a conhecer.

Em outros termos, os seres brutos obedecem às suas leis sem ter a inteligência disto: a Humanidade só se organiza através do conhecimento reflexivo, e, se posso dizê-lo assim, através da elaboração que ela própria faz de suas leis.

Ora, esta inteligência de nossas leis, não a obtemos de uma maneira instantânea, e através de uma percepção maquinal; mas por um longo esforço de contemplação, de pesquisa, e de método. Daí, três grandes épocas na formação do conhecimento humano, a Religião, a Filosofia, a Ciência.

  1. Chamo de Religião a expressão instintiva, simbólica e sumária, pela qual uma sociedade nascente manifesta sua opinião sobre a ordem universal.

Em outros termos, a Religião é o conjunto das relações que o homem, no berço da civilização, imagina existir entre ele, o Universo e Deus, o Ordenador supremo.

De um ponto de vista menos geral, a Religião é em todas as coisas o pressentimento de uma verdade.

O princípio de qualquer religião é o sentimento; seu caráter essencial, a espontaneidade; suas provas, aparições e prodígios; seu método, a fé. A demonstração analítica e a certeza racional são o oposto do espírito religioso.

Segue-se daí que a Religião é de natureza imóvel, sonhadora, intolerante, antipática à pesquisa e ao estudo, que tem horror da ciência assim como das novidades e do progresso. Pois duvidar ou filosofar, aos olhos da religião, é colocar-se voluntariamente na disposição próxima de não mais crer; raciocinar é pretender descobrir os segredos de Deus; especular é abolir em si os sentimentos de admiração e de amor, de candura e de obediência, que são o que define o crente; é taxar de insuficiência a revelação primitiva, enfraquecer as aspirações da alma em direção ao infinito, desconfiar da Providência, e substituir à humilde oração de Filemon a revolta de Prometeu.

  1. Entendo por Filosofia esta aspiração a conhecer, este movimento do espírito em direção da ciência, que sucede à espontaneidade religiosa, e se coloca como antítese da fé: aspiração e movimento que não são ainda nem ciência nem método, mas investigação de uma e do outro. Daí o nome de filosofia, amor ou desejo da ciência: daí também a sinonímia primitiva das palavras filósofo e cético, ou seja, pesquisador.

O princípio da Filosofia é a ideia de causalidade; seu caráter especial, a superstição; seu procedimento, a sofística: explicarei seu mecanismo e seu mistério.

  1. A religião e a filosofia têm em comum o fato de abraçarem o universo em suas contemplações e suas pesquisas, o que lhes retira qualquer especialidade, e por isto mesmo qualquer realidade científica; que em suas elocubrações ou suas fantasias elas procedem a priori, descendo sem cessar, por certo artifício retórico, das causas aos efeitos, ou subindo dos efeitos às causas, e fundindo-se constantemente, uma sobre a ideia hipotética e indeterminada de Deus, de seus atributos, de seus desígnios; a outra sobre generalidades ontológicas, desprovidas de consistência e de fecundidade.

Mas a religião e a filosofia diferem na medida em que a primeira, produto da espontaneidade, obra algumas vezes de um instante, é por natureza imutável e só recebe modificação pela influência de causas estranhas: enquanto que a outra, produto da curiosidade e da reflexão, varia segundo os objetos, muda ao sabor da experiência, e sempre estendendo o círculo de suas ideias, retificando seus procedimentos e seus métodos, acaba por se esvanecer na ciência.

 

  1. Chamo Ciência a compreensão, clara, completa, certeira e arrazoada da ordem.

O caráter próprio da Ciência, ao contrário da religião e da filosofia, é ser especial, e, segundo esta especialidade, ter um método de invenção e de demonstração que exclua a dúvida e não deixe nada para a hipótese.

Relativamente à religião e à filosofia, a Ciência é a interpretação dos símbolos da primeira, a solução dos problemas colocados pela segunda.

Em algumas partes de seu vasto domínio, a Ciência ainda está apenas despontando; em outras, está se elaborando; em quase todas, não nos é dado acabá-la. Mas, tal como a podemos adquirir, a Ciência basta ao exercício de nossa razão, ao cumprimento de nossa missão terrestre, às imortais esperanças de nossas almas.

Em todo lugar em que a Ciência ainda não cravou suas primeiras estacas, há religião ou filosofia, ou seja, ignorância ou decepção[6].

  1. Chamarei de Metafísica a teoria universal e suprema da ordem; os métodos próprios às diversas ciências são todos aplicações especiais desta teoria. Assim, a geometria e a aritmética são duas dependências da Metafísica, que dá a cada uma delas a certeza, e as abraça em sua generalidade.
    O objeto da Metafísica é, 1) dar métodos para os ramos de estudos que carecem deles, e consequentemente criar a ciência ali onde a religião e a filosofia a chamam;
    2) Mostrar o critério absoluto da verdade;
    3) Fornecer conclusões sobre o fim comum das ciências, ou seja, sobre o enigma deste mundo, e o destino ulterior do gênero humano.
  2. Entendo por Progresso a marcha ascencional do espírito em direção à Ciência, pelas três épocas consecutivas da Religião, Filosofia, e Metafísica ou método.

Em consequência disto, o Progresso não se trata da acumulação das descobertas que o tempo traz em cada especialidade, mas da constituição e da própria determinação das ciências.

A observação do Progresso, em muitos casos, é indispensável para a descoberta da Ordem: por isto faremos anteceder nossos elementos de metafísica de uma revista sumária da religião e da filosofia; por isto, mais tarde, a ciência social só andará com a ajuda da legislação comparada e da história[7].

Corolários das definições.

  1. Não podemos nem penetrar as substâncias, nem apreender as causas: o que percebemos da natureza é sempre, no fundo, lei ou relação, nada mais. Todos os nossos conhecimentos são definitivamente percepções da ordem ou da desordem, do bem ou do mal; todas as nossas ideias de representações de coisas inteligíveis, portanto, elementos de cálculo e de método. Até mesmo nossas sensações são apenas uma visão mais ou menos clara de relações, sejam elas exteriores, sejam interiores, sejam simpáticas. Ver e sentir são uma única e mesma coisa: temos uma prova percutante disto nos sonhos. De forma que, como o eu não possui realmente nada, de qualquer modo que se aproxime dos objetos através dos sentidos; como não penetra e não assimila nada, a felicidade para nós, o gozo, o mais alto contentamento, se reduzem a uma visão. Faça o homem o que fizer, sua vida é toda intelectual; o organismo e o que acontece nele são apenas o meio que torna esta visão possível.

Em nossa condição atual, a energia demasiado fraca de nossas faculdades nos permite apenas em parte suplementar pelo entendimento as sensações: mas quem sabe se, num outro sistema de existência, o prazer e a dor não seriam coisas puramente inteligíveis, e cuja percepção, não precisando de nenhuma excitação orgânica, dependeria apenas de um ato da vontade?

Mas descartemos a psicologia.

  1. Concebemos um momento em que o Universo seja apenas um todo homogêneo, idêntico, indiferenciado, um caos, para dizer tudo: a Criação nos aparecerá sob a ideia de separação, distinção, circunscrição, diferença; a Ordem será a série, ou seja, a figura, as leis e as relações, segundo as quais cada ser criado se separará do todo indiviso. Sejam quas forem, então, a Natureza divisora e a Natureza dividida, a causa eficiente e a matéria, o agente e o paciente, não podemos negar nada, afirmar nada de um nem do outro. O espírito involuntariamente os supõe, e se lança até eles: este impulso de inteligência nos revela uma realidade substancial e uma realidade causadora, e veremos mais tarde como, sem nunca as conhecer, podemos adquirir a certeza destas duas qualidades. Mas nossa ciência não permanece menos limitada, por isso, à observação da ordem, das relações e das leis: consequentemente toda disputa sobre a eternidade da matéria ou sua extração do nada; sobre a eficácia da causa primeira para produzir esta extração, e o modo do ato criador; sobre a identidade ou a não-identidade da força produtora e da coisa produzida, da causa e do fenômeno, do eu e do não-eu, deve ser banida da ciência, e abandonada à religião e à filosofia.

Para nossa inteligência, numa palavra, criar é produzir ordem: neste sentido, podemos dizer que a criação não se limitou aos seis dias de Moisés, e que a obra do sétimo dia, o maior dos trabalhos do eterno Poeta, a ordem na sociedade, está-se cumprindo.

A produção da ordem: tal é o objeto da metafísica.

 

  1. Colocado frente às coisas, e posto em relação com a Ordem universal ou o Mundo, primeiro o Homem se espanta e adora; pouco a pouco sua curiosidade se desperta, e ele se põe a detalhar o grande todo cujo aspecto, no primeiro momento, o subjuga, e lhe tira a reflexão e o pensamento.

Logo o sentimento de sua atividade pessoal lhe tendo feito distinguir a força da substância, e o fenômeno da causa, depois de ter adorado a Natureza, o Homem se diz que o mundo que admira é apenas um efeito; que não é esta causa inteligente que procuram o seu coração e o seu pensamento; e é então que sua almase lança para além do visível, e mergulha nas profundidades do infinito.

A ideia de Deus, no homem, é objeto de um incansável trabalho, incessantemente retificado, incessantemente retomado. Este Ser supremo, o homem o trata como todos os outros seres submetidos ao seu estudo: ele quer penetrá-lo tanto em sua substância quanto em sua ação, ou seja, naquilo que as próprias criaturas têm de mais impenetrável. Daí esta multidão de monstros e de ídolos que o espírito humano decorou com o nome de divindades, e que a tocha da ciência deve fazer esvanecer para sempre.

Determinar através do método universal, sobre os dados de todas as ciências, e segundo as reformas sucessivas que terá sofrido a ideia de Deus ao passar pela religião e a filosofia, o que a razão pode afirmar do Ser soberano que a consciência crê e distingue do mundo, mas que nada faz perceber, eis o que deve o que pode ser uma teodiceia.

 

  1. Religião, Filosofia, Ciência; a fé, o sofismo e o método: tais são os três momentos da consciência, as três épocas da educação do gênero humano.

Consulte a história: toda sociedade começa começa por um período religioso; interrogue os filósofos, os sábios, aqueles que pensam e que raciocinam: todos lhe dirão que foram, numa certa época, e por mais ou menos tempo, religiosos. Viu-se nações se imobilizarem em suas crenças primitivas; quanto a estas, nenhum progresso. – Encontramos todos os dias homens teimosos em sua fé, mesmo que muito esclarecidos de resto: quanto a eles, nada de ciência política, nada de ideias morais, nada de inteligência do homem. Sentimentos, contemplações, terrores e medos: eis o seu quinhão.

Outros, depois de terem dado alguns passos, param nos primeiros lampejos filosóficos; ou então, atemorizados pela imensidão da tarefa, se desesperam de caminhar e se repousam na dúvida: é a categoria dos iluminados, dos místicos, dos sofistas, dos mentirosos e dos covardes.

[1] Segundo os ecléticos, a ordem é a unidade na multiplicidade. Esta definição é correta: entretanto, parece-me que pode ser criticada porque traduz a coisa, mas não a define. O que é que produz a unidade na multiplicidade? a série, a simetria. (Nota do autor)

[2] Os animais estão abaixo da condição do homem; eles não percebem as relações entre as coisas, eles não sabem nada. O que se passa neles que tomamos por inteligência é apenas um instinto aperfeiçoado pelo hábito, uma espécie de sonho provocado pelo meio ambiente, e que não supõe nem meditação nem ciência. Como para o sonâmbulo, o pensamento nos animais não conhece a si mesmo; é orgânico e espontâneo, mas não consciente nem refletido.

[3] Essência relaciona-se mais com a disposição e o objetivo do que com a matéria, e entende-se do conjunto das partes, e não dos elementos constituintes da coisa. A substância de um relógio pode ser a mesma do que a de um espeto giratório*: mas a essência da primeira consiste numa combinação cujo objetivo é marcar as divisões do tempo; a essência do segundo é simplesmente produzir um movimento de rotação contínuo, sem periodicidade. (*) N. do T.: antigamente, os espetos giratórios funcionavam à base de um mecanismo de relojoaria.

[4] Ver mais embaixo, cap. III, parágrafo 7. (N.d.A)

[5] No original, “servant” [servindo]. Supõe-se erro de digitação na palavra “servent” [servem]. (Nota do tradutor)

[6] O estatuário, entre os antigos, escrevia em suas obras a palavra faciebat, trabalhava, para indicar que ele não os via nunca como acabados: assim, o amigo da verdade, sempre em alerta contra o sofismo e a ilusão, pode se dizer filósofo; sábio, nunca. Mas a vaidade moderna tornou a denominação de filósofo ambiciosa, e a de sábio, modesta: os sábios de hoje só se estimam na medida em que se acreditam filósofos: o mais puro da ciência, eles o chamam de filosofia.

[7] Quando, durante esta obra, me sirvo das palavras sacerdotes, filósofos, homens do poder, etc., não estou designando, sob estes nomes, classes de cidadãos, e não estou fazendo nenhuma categoria de pessoas. Entendo por eles personagens abstratos, que considero unicamente do ponto de vista de seu estado, dos preconceitos que lhe são próprios, do caráter e dos hábitos que ele dá ao homem: não estou descrevendo realidades, nem processando indivíduos.

Assim, apesar de o espírito religioso ser contrário à ciência, à caridade e ao progresso, sei que há sacerdotes muito sábios, muito tolerantes, e singularmente progressivos: ouso até dizer que o clero, nem que seja para a defesa de suas doutrinas, é de todas as corporações a mais curiosa por ciência, e que a maior parte de nossos sacerdotes começam a não ser mais sacerdotes.

Igualmente, a despeito da ontologia e da sofística, que eles são encarregados de ensinar, não faltam filósofos para rir da filosofia, e sábios para além de palavras: afirmo até que hoje todo filósofo homem de bem não é nada filósofo.

Direi que os agentes do poder, apesar de seu caráter oficial de conservadores e de dinásticos estão, pelo espírito e pela tendência de suas funções, bem perto da democracia e da igualdade? Confesso, quanto a mim, que sou daqueles que, certos ou errados, não puderam se desfazer, com relação ao governo de julho, de algumas precauções ou desconfianças: reconheço de bom grado, entretanto, que muitas coisas acontecem ali num sentido completamente reformista, e que em muitos casos o governo pode se dizer mais progressivo do que seus adversários.

Enfim, para completar esta apologia, será preciso convir que há sábios de hábitos detestáveis e de um odioso caráter? Mas qual é a necessidade de lembrar o mal quando há tanto bem a se dizer? Não, não preciso me desculpar frente aos homens, já que só estou fazendo a guerra aos preconceitos. Os homens são bons, benévolos, excelentes; eles nunca me quererão mal: só temo suas máscaras e seus costumes.

Neste tempo de poderes mal definidos, de instituições falhas, de leis equívocas e de ciências falsas, eu precisava fazer esta declaração.

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